Ouvir a «Paixão Segundo São Mateus», de Johann Sebastian Bach (basta os primeiros minutos), é quase como sentir os pulmões insuflarem com um ar diferente, com uma vida diferente. Bach tem o condão de, a partir das melodias aparentemente mais simples (algumas até demasiado simples), tecer uma teia de sons, de forma tão rendilhada e sólida, que se transformam em coisas verdadeiramente estruturais. A expressão «Bach» pode ser, livremente, traduzida para português como «Ribeiro». Neste sentido, a música de Bach corre, verdadeiramente, como um ribeiro. Como se fosse uma qualquer força da natureza, que cumpre a sua função por apenas existir. Assim como há um «antes de Cristo» e um «depois de Cristo», na História da Humanidade, há também uma espécie de «antes de Bach» e «depois de Bach», na História da Música. É mais fácil, talvez, ouvir a Paixão (de preferência a versão cénica de Peter Sellars, apresentada pela Filarmónica de Berlim, com direcção de Simon Rattle), e deixar esse novo ar, esse ar diferente habitar-nos, para se perceber melhor tudo isto. Hoje, é dia de aniversário de Bach.
Pessoal e Transmissível
Plagiando o nome do programa de entrevistas de Carlos Vaz Marques na TSF, este blog tem tanto de absolutamente pessoal como de absolutamente transmissível. O título surgiu da lembrança de um anúncio televisivo a uma agenda - «A Minha Agenda» - que, na altura, toda a gente queria ter. O conteúdo surge de retalhos de informação, de observações, de restos de material da minha agenda, que fizeram (ou não) notícias. Neste caso, material que não foi directamente notícia, mas que talvez pudesse ter sido. De um ponto de vista totalmente pessoal, mas totalmente transmissível. Bem-vindo.
Comentários recentes