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fernando-mendesNunca falámos. De  tão humilde e tímido que parecia, ninguém diria o músico que foi, o músico que era. Em Alvarenga e por Arouca chamavam-lhe o «Mestre», pela figura de maestro, pedagogo, sábio que sempre teve. Apesar da música, nunca falámos. Mas recordo as palavras que deixou à minha mãe, após um concurso menos bem sucedido: «Ele que não desista. Ainda é muito novo, e as oportunidades vão surgir». E assim foi. O homem que compôs «Alvarenga em Marcha», que várias vezes tocámos em convívios com a Banda de Música de Alvarenga. O homem que dedicou muito da sua vida à transcrição de grandes obras orquestrais para banda filarmónica. O homem que tocou vários instrumentos, mantendo sempre uma mestria e uma destreza teóricas que deixavam os seus colegas e professores admirados. Fez parte da Banda Sinfónica da GNR, tocou em várias orquestras sinfónicas, dirigiu a «sua» Banda de Alvarenga. Numa das últimas vezes que o vi (e fotografei) por Alvarenga, esteve a «navegar», no Espaço Internet local. Voltei a encontrá-lo no excelente concerto que a Prof. Alexandra Mendes, sua filha, que tive o imenso prazer de conhecer, deu em Arouca. Revi-o há pouco, no seu estilo introvertido de sempre, mas nada me fazia prever que chegássemos aqui. Hoje, sem sequer termos falado, ganham ainda mais sublinhado as palavras que me fez chegar, mesmo que indirectamente. «Não desistas. As oportunidades vão surgir». É por isso e por tudo o que o «Mestre» foi (e é) que este não é «o último», mas apenas «um» adeus.