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Nós somos o mesmo país que, há pouco mais de 500 anos, se aventurou dentro de uns barcos, muitas vezes sem nunca termos visto o mar, que é nosso, contra as ondas, à procura do mundo. Somos o mesmo país que cartografou esse mesmo mundo, e teve a oportunidade de enriquecer a sua cultura. Somos o mesmo país que não se conteve nas suas fronteiras, que lutou pela sua independência e se constituiu como nação antes de quase todos os países da Europa o fazerem. Somos o mesmo país que se mobilizou para implantar a República, baseada na igualdade, fraternidade e, sobretudo, liberdade. Somos o mesmo país que se libertou das correntes da opressão de uma das mais longas ditaduras da Europa, e abriu as suas fronteiras a uma União Europeia efectiva. Somos o mesmo país que deu os braços de força à construção e desenvolvimento de muitos outros países, como a França, a Suiça, o Luxemburgo, e muitos outros. Somos o mesmo país que viu nascer grandes vultos da ciência, do pensamento, da tecnologia, que estão hoje por esse mundo fora. Somos o mesmo país que tem gente que, mesmo a correr e em cima da hora de fim do prazo, concebe melhores projectos do que os que passam todo o prazo a pensá-los, discuti-los e executá-los. Somos tudo isto. Mas parece, cada vez mais, que somos outra coisa, completamente diferente. O que poderemos fazer para sermos esse outro país?