Afinal não é só onde se está a aprender a fazer cultura que estas coisas acontecem. Em pleno Panteão de Roma, dois ciosos funcionários mandaram terminar um concerto, quando ainda faltavam alguns minutos para a hora marcada. Os músicos ficam, inicialmente baralhados, do público grita-se «vergonha», esboçam um recomeço, mas há alguém que vem, de forma ainda mais enérgica, mandar retirar. As mais altas instâncias italianas já ordenaram a abertura de um inquérito. É nestas alturas que quem se dedica à música sente o que de pior se pode sentir: uma profunda ingratidão e desrespeito pelo trabalho minucioso, quotidiano, às vezes sofrido, para que, muitas vezes em breves minutos, a música soe como deve soar. É que, apesar de se tratar de uma arte do efémero, raramente se percebe (e valoriza) o trabalho que está por trás daquela fluidez com que um músico expõe os seus sons. Muitos acompanham, diariamente, os treinos dos «craques» do seu clube, para, ao domingo, verem os falhanços de baliza aberta. Pois bem, os músicos também «treinam» (e muito) todos os dias. Só que não se podem dar ao luxo de falhar «penalties».
Pessoal e Transmissível
Plagiando o nome do programa de entrevistas de Carlos Vaz Marques na TSF, este blog tem tanto de absolutamente pessoal como de absolutamente transmissível. O título surgiu da lembrança de um anúncio televisivo a uma agenda - «A Minha Agenda» - que, na altura, toda a gente queria ter. O conteúdo surge de retalhos de informação, de observações, de restos de material da minha agenda, que fizeram (ou não) notícias. Neste caso, material que não foi directamente notícia, mas que talvez pudesse ter sido. De um ponto de vista totalmente pessoal, mas totalmente transmissível. Bem-vindo.
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É realmente uma vergonha que assim se interrompa o trabalho dos outros. Nunca tinha visto nada parecido… mas, se calhar, sou eu que saio pouco…
Abraço amigo