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Pensei que os deputados faziam serviço público, que nos representavam, que estavam, efectivamente, ali para nos servir. Mas parece que não. Aliás, já parecia, mas agora há mais um indicador nesse sentido. José Lello, paladino da liberdade, que já havia lançado brados de indignação contra Manuel Alegre, veio, agora, insurgir-se contra a liberdade de movimentos dos fotojornalistas no hemiciclo. Porque, de repente, podem ser «apanhados» a fazer precisamente o que não devem, enquanto estão ao nosso serviço. E, como se não bastasse, os deputados do PS, em jeito de birra mal-educada, resolveram bater com a tampa dos seus computadores, com toda a força, num acto mimado e de perfeita irresponsabilidade. Não interessa se os computadores são pessoais ou públicos. O serviço que prestam é público, ou, pelo menos deve ser. E quanto mais transparente e à vista de todos, melhor. Birras, acessos de mimo e parvoíces, bem podiam ficar para outros fóruns.

«Vários deputados do PS fecharam com força os seus computadores em protesto contra as explicações do presidente da Assembleia da República, Jaime Gama, sobre a natureza de serviço público daqueles computadores».

(«Público» online)