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O primeiro impacto foi o de pensar que não podia ser, mas, lendo e relendo, fica um tremendo amargo de boca pelas palavras convictas (sempre convictas) da Ministra da Cultura acerca do tremendo erro que é o tal (des)acordo ortográfico. Como se não bastasse todos nós sentirmos (e sabermos) que com isto abdicamos de boa parte (toda?) a nossa identidade enquanto povo, e que vai ser lançado o absoluto caos sobre a utilização de uma das línguas mais ricas, senão a mais rica, há subtilezas que ainda contribuem mais para o ridículo da situação. O Governo encomendou a concepção de um conversor electrónico, bem como (pasme-se) um vocabulário, para que todos possamos usar e saber como converter a nossa língua para essa coisa que vamos passar a utilizar. É mau. Mau demais. Que nos tirem a nossa língua, que lancem sobre nós a confusão, que se adopte o caminho mais fácil, e, como se não bastasse, ridicularizem-nos, obrigando-nos a termos de andar de «máquina de calcular» para podemos falar a «nossa» língua uns com os outros. Por favor, digam (ou façam com) que isto não seja verdade…

«Será 2010 o ano da entrada em vigor do Acordo Ortográfico?

Será, com certeza. Está a ser feita uma articulação entre o MC, o Ministério da Educação, o Ministério dos Negócios Estrangeiros e a PCM, que tutela a Imprensa Nacional-Casa da Moeda e o “Diário da República”. Vai ser produzida uma resolução do Conselho de Ministros, muito em breve, que vai fasear e dar indicações ao longo do ano 2010 a cada organismo do Governo para começar a aplicar o Acordo. Estão a ser dados passos todos os dias. Estamos a aguardar que nos seja entregue um conversor e um vocabulário feitos por encomenda do Governo, que serão de descarga grátis para qualquer pessoa ou instituição e que será um instrumento fundamental para que todos o possam ir integrando no seu quotidiano».

(Revista «Única»; edição do jornal «Expresso» de 10 de Abril de 2010)

Foto: Expresso