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As poucas e sentidas palavras de hoje são apenas para uma sentida e simples homenagem ao Sr. Aristides Noites. O Sr. Aristides, muito antes de o conhecer, foi o responsável pelo meu ar desajeitado, aos cinco anos, de fraldas de fora, depois de tentar imitar os seus gestos vigorosos e graciosos, de batuta na mão. Longe estava, nessa altura, de imaginar que iria ser o meu primeiro maestro, com quem aprendemos a disciplina, o rigor, a integridade e a intensidade do trabalho musical e da instituição que representamos. Com ele, aprendemos também que uma forma muito própria de liderança pode dar frutos. Frutos que vêm, no fundo, da humildade e da disponibilidade para o trabalho. O Sr. Aristides chegou a maestro da Banda de Arouca, porque a conhecia bem por dentro. Porque foi músico a sério, e sabia o que podia esperar de cada timbre, de cada instrumento e de cada instrumentista. Foi também autarca respeitado e em quem, sucessivamente, foi depositada confiança para gerir os destinos da sua freguesia e do seu município. O seu ingresso repentino numa outra, nova e grandiosa, orquestra, apanha-nos de surpresa. Mas o seu exemplo dá-nos a garantia de que, se o seguirmos, talvez ainda possamos vir a ser companheiros de naipe.