«Hic sunt dracones» era uma expressão que surgia, frequentemente, na cartografia, para indicar a presença de monstros marinhos, ou de um mar revolto. Em suma, de um lugar onde não se deveria passar, sob pena de não se regressar. No caso, Roland Joffé, realizador de «Missão», escolheu a frase para título de um filme sobre José Maria Escrivá, fundador da «Opus Dei». O filme, baseado em factos verídicos, retrata o drama da Guerra Civil Espanhola, em especial para os clérigos, para não falar do povo espanhol em geral, que, ficamos com a sensação, nunca sabia muito bem de que lado deveria estar. Porque, percebemos, há sempre um lugar dentro de nós onde também existem dragões. Contudo, como acontece com os grãos de cacau, algo de aparentemente inútil pode ganhar um sabor divinal. A paciência, a habilidade, o trabalho duro e o amor libertam os sabores divinos que se escondem no grão de cacau. Há que apurar o paladar, e deixar a paciência, a habilidade, o trabalho duro e o amor trabalharem. Tocar ao de leve outra mão. Libertar sorrisos cativos. Porque não existem só dragões. Há todo um mundo de grãos de cacau, que podem, facilmente, tornar-se doces.
Pessoal e Transmissível
Plagiando o nome do programa de entrevistas de Carlos Vaz Marques na TSF, este blog tem tanto de absolutamente pessoal como de absolutamente transmissível. O título surgiu da lembrança de um anúncio televisivo a uma agenda - «A Minha Agenda» - que, na altura, toda a gente queria ter. O conteúdo surge de retalhos de informação, de observações, de restos de material da minha agenda, que fizeram (ou não) notícias. Neste caso, material que não foi directamente notícia, mas que talvez pudesse ter sido. De um ponto de vista totalmente pessoal, mas totalmente transmissível. Bem-vindo.
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