Passe o tempo que passar, não vou mais esquecer o sorriso rasgado do Gil. O flamenco do João. O olhar profundo do Igor. A timidez do João Paulo. Os rostos a abrirem-se, à medida que íamos fazendo música. Nunca mais vou esquecer as palavras cadenciadas, sentidas, postas lado a lado como um muro, não de uma prisão, mas quase de ouro. Há muitas formas de fazer música, mas esta tem-se revelado a mais surpreendente, a cada passo. Porque ensinamos, aprendemos e ficamos verdadeiramente unidos. Quando me disseram «tens de ir fazer música a uma prisão», primeiro veio a surpresa, depois um sorriso de desafio. Depois, o impacto de sentir a brutal diferença entre o «fora» e o «dentro». Entre a liberdade e a prisão. O resto, foi uma enorme aprendizagem. E o sentimento. Estas podem não ter sido as melhores notas que toquei, mas foram, sem dúvida, das mais sentidas. E o que é a música, se não for sentida?
Pessoal e Transmissível
Plagiando o nome do programa de entrevistas de Carlos Vaz Marques na TSF, este blog tem tanto de absolutamente pessoal como de absolutamente transmissível. O título surgiu da lembrança de um anúncio televisivo a uma agenda - «A Minha Agenda» - que, na altura, toda a gente queria ter. O conteúdo surge de retalhos de informação, de observações, de restos de material da minha agenda, que fizeram (ou não) notícias. Neste caso, material que não foi directamente notícia, mas que talvez pudesse ter sido. De um ponto de vista totalmente pessoal, mas totalmente transmissível. Bem-vindo.
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