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corrupcaoA discussão começa logo com um aligeiramento do termo em causa. Deixou de se falar de «corrupção» e acentua-se o «enriquecimento ilícito». O que é curioso é serem os políticos a discutirem, projectarem e legislarem sobre este assunto. É um pouco como, passe a comparação, colocar os contribuintes a cobrarem impostos aos funcionários das Finanças, ficando os primeiros isentos de pagar.

É paradoxal discutir-se isso quando assistimos diariamente a mais episódios do «folhetim BPN», ou «Freeport», ou inúmeros outros, em que as «estrelas» são políticos. Ou quando são os próprios peritos na matéria a dizerem que as propostas de lei são, tecnicamente, piores que más. Ou quando todos se desentendem, porque querem um Provedor de Justiça da sua confiança. Ou quando já cheira fortemente a eleições.

O povo português pratica a «pequena corrupção» diariamente. Porque fala com um amigo para passar à frente de quem está à espera no médico. Porque dá um contacto de um amigo para preencher uma vaga de emprego. Porque paga (ou recebe) para resolver situações delicadas. Será assim tão difícil reconhecer casos de enriquecimento ilícito?

Contudo, no dia-a-dia, talvez a preocupação devesse estar nos quase 500 mil desempregados, que continuam a aumentar, e que seriam 350 mil se o Eng. Sócrates tivesse cumprido o que prometeu aos portugueses, que lhe deram, se calhar também por isso, uma maioria absoluta. Mesmo assim, são muitos. E andamos nós a discutir a riqueza (lícita ou ilícita) uns dos outros. Em casa onde não há pão…