Cada vez mais, acredito que há uma boa forma de medir a amizade. Ela é proporcional à capacidade de, rapidamente, estarmos com um amigo com quem não estávamos há imenso tempo como se tivéssemos estado ontem. A verdadeira amizade resiste ao tempo. Faz uma espécie de...
Às vezes, o corpo comporta-se como a concha de um caracol, encolhe-se sobre si mesmo, quase atrofia. É preciso, de vez em quando, obrigá-lo quase a sair de si mesmo. A expandir-se. A ganhar espaço para que o espírito também se alargue. Hoje é o dia seguinte. O dia das...
Há alturas em que parece que a segunda-feira é o pior dia da semana. Outras, em que passa a ser um dia igual a outro qualquer. Quando, uma vez ou outra, a semana se mete pelo fim-de-semana adentro, deixando pouco espaço para nos apercebermos que, de facto, existe...
Por artes mágicas, ainda não tinha tido a oportunidade de fazer essa viagem que, todos os anos, leva praticamente toda a gente a Santa Maria da Feira. Ontem, foi o dia. Na melhor companhia possível, lançámo-nos rumo ao passado, com a mesma cumplicidade. Esta é a...
Às vezes temos receio de dizer o que sentimos, por ter passado pouco tempo. Passou, de facto, pouco tempo. Mas o suficiente para se perceber que marcou. Marcou ter-se partilhado o palco com dois vultos da música nacional. Há coisas que são difíceis, impossíveis de...
Portugal tem destas dicotomias. Anda toda a gente preocupada em estar na moda, a cantar a “Grândola, vila morena”, mas completamente esquecida do seu compositor. José Afonso, se fosse vivo, faria hoje 84 anos. E se os fizesse em vida, por certo outro galo...
Há pessoas que, por vários motivos, não parecem deste mundo. Pelo talento. Pela mestria. Pelo exemplo. Pela humildade desconcertante. Mário Laginha é mais ou menos assim. Para grande felicidade nossa, temos estado a trabalhar para um concerto com este enorme músico,...
Hoje é um daqueles dias aparentemente estranhos. Um daqueles dias em que há qualquer coisa que paira, e parece que não sabemos bem o que é. Mas, de facto, sabemos. Chama-se saudade. A diferença essencial entre o estar e o não estar mais. E regressamos a esse...
Uma das vantagens da racionalidade é podermos olhar para a mesma coisa a partir de vários pontos de vista. Como se olhássemos para uma ampulheta. Se olharmos tanto para a parte superior, ainda cheia das pequenas areias, como inferior, ainda vazia, vemos que o tempo é...
Apetece-me voltar aqui. Escrever é uma espécie de compulsão, sobretudo quando se tem o à vontade de se saber que quem quer ler, lê. Não há uma obrigação. Não há um mercado. Não há um bom nome literário a defender. Há a vontade de escrever, sem mais nada. E a de ler,...
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