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27 de Março de 2016 – Passagem

A Páscoa é, na sua essência, uma passagem. Da morte à vida. Da destruição à reconstrução. Do caos à ordem. Uma oportunidade para reedificarmos tudo a partir de dentro. Tal como a Primavera faz rebentar as flores, depois da razia do Inverno. A Páscoa é um tempo fértil...

26 de Março de 2016 – Jacarépagunaminacajurapassu

E às vezes apetece não pensar em nada. Ou relembrar tempos divertidos. Sons divertidos. Quando ainda se cruzava a Avenida de Gaia de autocarro. Quando se ia ao Rivoli ou ao Museu do Carro Eléctrico ou à Alfândega «ouver» as Vozes da Rádio. E de como rimos até não...

25 de Março de 2016 – Cântico Final

Em dia de Sexta-Feira Santa, é talvez curioso que ressoe, latente, o «Cântico Final» de Vergílio Ferreira. Esse cântico que, mais do que religioso, é um cântico da arte, da vida enquanto percurso, da morte (quantas vezes esperada) como inevitabilidade a que fugimos....

24 de Março de 2016 – Cruyff, a parte mecânica da laranja

O tempo passou, e parece que reduziu as coisas a metade. Cuyff era o 14, e Ronaldo, por exemplo, é «apenas» 7. Beckenbauer era conhecido como «o filósofo», mas no que diz respeito às coisas da bola, o pensamento de Cruyff, e a forma como se impôs, supera qualquer...

23 de Março de 2016 – O som, a fúria e o silêncio de Bruxelas

Há uma espécie de fascínio do ser humano pela explosão. Talvez reminiscências do «Big Bang». Esse som, essa fúria primordial é, também, um dos fascínios mais praticados por extremistas e radicais, como se, assim, conseguissem voltar a dar origem a alguma coisa, sendo...

22 de Março de 2016 – Três (pequenos) pontos sobre a eutanásia

O debate parece estar a decorrer longe das posições extremadas que outros debates fracturantes foram assumindo, o que demonstra que, apesar de tudo, a sociedade portuguesa está mais madura, mais preparada para pensar, para informar-se, para trocar argumentos, para...

21 de Março de 2016 – Bach, o ribeiro que corre

Ouvir a «Paixão Segundo São Mateus», de Johann Sebastian Bach (basta os primeiros minutos), é quase como sentir os pulmões insuflarem com um ar diferente, com uma vida diferente. Bach tem o condão de, a partir das melodias aparentemente mais simples (algumas até...

20 de Março de 2016 – Sabedoria, paciência, ou coisa assim…

Há quem lhe chame sabedoria. Há quem lhe chame paciência. Ou prudência. Ou conselho. Somos pródigos em desmultiplicar significados, quando procuramos simplificar. Seja o que for, é algo que se cultiva. Que se semeia, e deixa germinar. Até, sem darmos conta,...

19 de Março de 2016 – Abrir. Estar.

E, de repente, abrimos a agenda, e verificamos que já não a abríamos desde Outubro. É como se começássemos uma viagem, de trás para a frente, a tentar reconstituir todos os passos que nos conduziram a este acto de a reabrir. E é como se o mundo fosse mudando, mas a...

9 de Outubro de 2015 – Uma não-crítica

Quando somos público, facilita-se-nos a crítica. Rapidamente ficamos com a sensação de que, afinal, é fácil. A observação foge-nos para o gosto, e, se não gostamos, achamos simples, fraco, «uma porcaria». Exercer o juízo de valor é complicado, perverso até. Mas enfim....