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susan-boyleSusan Boyle é a mais recente «estrela» do mundo do audiovisual, depois de ter concorrido ao «Britain’s Got Talent» e de ter deixado toda a gente (júri, público e telespectadores) absolutamente siderados. Ao chegar ao palco, Susan foi respondendo, no seu estilo mais ou menos desajeitado e quase «simplório», às perguntas que lhe foram fazendo, e logo as reacções foram adversas. Imbuídos de um snobismo e um cinismo que nos são mais ou menos normais, os que a viam e ouviam pensavam tratar-se de mais uma «bimba» que ia dar um qualquer espectáculo deprimente. Nada mais errado.

Mal atacou as primeiras notas de «I Dream a Dream», do musical «Les Misèrables», de Carl-Michel Shönberg, a atitude foi mudando. No final, foi a própria Amanda Holden, membro do júri, que verbalizou o que acabara de se passar. «Ao fim e ao cabo, estávamos todos a rir-nos de si e a ser uns grandes cínicos». Mas a voz de Susan Boyle tratou de colocar as coisas em outro ponto. Em poucos minutos, perante o público, passou «de besta a bestial», da mesma forma que poderia ter sucedido exactamente o contrário. Há, em geral, duas lições a retirar. Uma, é a de não se fazer julgamentos precipitados «a priori», porque se corre seriamente o risco de errar. Outra é a de que o público é absolutamente perverso. Consome o que lhe é dado e reage frequentemente de forma instintiva e raramente de forma racional.

Paul Potts, que era um tímido funcionário de uma seguradora e que poucas palavras emitia, «trucidou» o público com a sua voz de tenor, que, aparentemente, poucas vezes tinha usado. Agora, com Susan Boyle, que vivia quase apenas para cuidar da mãe, acontece mais ou menos o mesmo. Quando se depende da aprovação de uma «massa» com as características deste «público», essa entidade pouco clara, as coisas complicam-se. Mas estas «histórias de sucesso» servem, pelo menos, para dar que pensar.