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arÉ natural que andemos demasiado atarefados no dia-a-dia para nos apercebermos, ou sequer pensarmos, no que andam a fazer os políticos que ajudamos a eleger. Pois bem, hoje mesmo, estão a discutir as hipotéticas (e, quase certamente, nulas) alterações à situação contributiva dos cidadãos, dizem alguns para «facilitar a vida» aos que, como eu, sofrem da «praga» do Recibo Verde. Mas, ao que tudo indica, pelo menos até esta hora, assistiremos à primeira «coligação negativa» no parlamento, com a oposição a vetar o projecto do Governo. Por outro lado, e mais «nas entrelinhas», o Presidente da Assembleia da República, depois de pôr fim à possibilidade de desdobramento das viagens dos deputados, quer alterar o sistema de faltas e justificações. Para quem está «de fora», a medida soa bem, se queremos ter um parlamento e deputados mais credíveis. Mas, à boa maneira retórica, parece que é preciso agendar uma reunião para se discutir «a matéria», que, pelos vistos, está a causar grande mau-estar entre deputados de todos os quadrantes. E nós, cá continuamos, no dia-a-dia.

«Isto não é a câmara dos Lords (…). Ser deputado implica ser deputado e não deputado em part-time».

Jaime Gama, Presidente da Assembleia da República