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Vitalino Canas, a voz do PS, irritou-se. E irritou-se, não porque o país está mal, não porque o desemprego grassa, não porque divergimos da Europa, não porque o Primeiro-Ministro continua embrulhado em várias histórias não resolvidas, não porque o (des)investimento público é mal gerido, não porque há uma deputada do seu partido que, por ter residência oficial em Paris, continua a receber honorários acrescidos, sem dever ter direito a eles. Não por nada disto. Vitalino irritou-se porque o PSD alterou os seus estatutos, de forma a sancionar com expulsão os militantes que revelem desrespeito pelo programa, pelos estatutos, pelas directrizes do partido. Ou seja, o PSD e o seu funcionamento interno são mais importantes para o porta-voz do PS do que o país. Aliás, a utilização da primeira pessoa na sua declaração vincula-o mais a si próprio do que ao partido que representa, o que nos deixa mais sossegados. Quem conhece o funcionamento interno dos partidos, nomeadamente no que diz respeito às campanhas eleitorais, sabe bem que é extremamente penoso ver companheiros de partido dissidirem, e lutarem contra os que diz serem seus companheiros. Esta norma está presente nos estatutos e regulamentos internos de várias instituições, sejam elas associações, IPSS, ou outras. Mas, aparentemente, irrita alguns. Curiosamente, do outro lado da trincheira.

«Fiquei incrédulo e estupefacto quando tomei conhecimento dessa alteração estatutária. A confirmar-se essa alteração estatutária, quase 36 anos após o 25 de Abril de 1974, estaremos perante uma verdadeira lei da rolha, uma lei estalinista implementada por um partido democrático».

(Vitalino Canas, em conferência de imprensa após o Congresso do PSD)