Select Page

A cimeira da NATO terminou, foi um momento alto para Portugal, que provou ser capaz de organizar um evento de nível global, onde se produzem decisões importantes para o futuro geo-estratégico do mundo. Para manter a segurança e ordem pública, durante a cimeira, o Estado recorreu à compra sem concurso público (invocando a urgência) de seis blindados de protecção policial, para além de mais material de protecção policial, num total de cerca de cinco milhões de euros. A ausência de concurso público deveu-se, tudo indica, à urgência de ter este equipamento disponível para utilização durante a cimeira, o que não aconteceu. A cimeira terminou no sábado. O primeiro blindado chegou… hoje. Convém que alguém seja responsabilizado e esclareça o país quanto às desventuras destes cinco milhões de euros e quanto ao facto de se ter feito esta compra sem recurso a concurso público. Já para não falar na (in)utilidade da compra.

«Eu gostei de ver o primeiro-ministro a ir a correr, depois da cimeira, à PSP, [para] agradecer o esforço de manutenção da segurança, tanto mais significativo quanto, afinal, falharam e não foram necessários os blindados e outro equipamento encomendado à pressa, exactamente para servir as necessidades de segurança da cimeira. (…) O próprio facto de esse equipamento não ter sido necessário é motivo para reflexão e para que se apure: Como? Porquê? A quem? Com que engenharia financeira? O que é que vamos efectivamente ter de pagar relativamente a esses blindados e a esse equipamento que não foi necessário para a cimeira?»

(Ana Gomes, eurodeputada socialista, em declarações à TVI)