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Há vários dias que há uma tensão terrível no Rio de Janeiro, a que o nosso bulício diário tem, de certo modo, passado ao lado. Um grupo de traficantes resolveu responder agressivamente à implantação de unidades de polícia pacificadora. A violência aumentou em espiral, a ponto de o estado brasileiro ter todas as suas unidades de defesa a postos para controlar a situação que, de certo modo, já está praticamente incontrolável. Houve ataques no trânsito, nos transportes públicos, trocas de tiros nas favelas. Houve inocentes apanhados no fogo cruzado, mortes desnecessárias. Milhares de agentes da autoridade estão na rua, na tentativa de apaziguar a situação. Estão já registadas várias dezenas de mortes. Foram incendiados quase cem veículos e apreendidas dezenas de armas. Na base de tudo isto, não a miséria, não a vida de quem quer lutar por um futuro melhor, não a vontade de dignificar uma vida, apesar do sítio onde se vive. Na base de tudo isto, o tráfico de droga. Será que vale a pena ter um motivo como este para uma eventual guerra civil no Rio de Janeiro?