A «Deolinda» já tinha personificado o nosso estado de parvoíce. Também somos culpados disso, não nos iludamos. Somos culpados, porque deixamos que façam de nós parvos. Porque nos damos ao luxo de eleger para cargos principescos os mesmos que nos aparvalham. Hoje foi dia de Festival da Canção. Um evento que parava o país, por onde passavam grandes artistas, um verdadeiro barómetro da «arte musical pop». De há algum tempo para cá, não. É só um espectáculo «kitsch», cujo conteúdo é difícil de qualificar, em que os vencedores são anónimos, e depressa regressam ao anonimato. Mas hoje foi diferente. Os «Homens da Luta» ganharam a taça. Depois da votação formal, a fazer lembrar os velhos tempos, em que os juris distritais dizem de sua justiça, o voto do público (uma coisa muito em voga, na «TV 2.0») deu a volta à tabela classificativa. Tudo isto é um reflexo do que somos e de como estamos. Para melhor ou para pior, bem ou mal, a luta continua.
Pessoal e Transmissível
Plagiando o nome do programa de entrevistas de Carlos Vaz Marques na TSF, este blog tem tanto de absolutamente pessoal como de absolutamente transmissível. O título surgiu da lembrança de um anúncio televisivo a uma agenda - «A Minha Agenda» - que, na altura, toda a gente queria ter. O conteúdo surge de retalhos de informação, de observações, de restos de material da minha agenda, que fizeram (ou não) notícias. Neste caso, material que não foi directamente notícia, mas que talvez pudesse ter sido. De um ponto de vista totalmente pessoal, mas totalmente transmissível. Bem-vindo.
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