Select Page

Nos dias em que se hesitava entre a vida e a morte de Angélico Vieira, perguntava José Alberto Carvalho a uma neurologista presente em estúdio, para falar sobre o conceito de morte cerebral, se se expressava correctamente quando dizia que a morte cerebral é uma linha ténue entre a morte e a vida. Surpreendentemente, a resposta não podia ser mais clara, concisa e verdadeira. A linha que separa a vida da morte é ténue. A um determinado quilómetro da estrada, ou algo se mete ao caminho, ou o caminho escolhido é outro, ou outra coisa qualquer. E deixa-se de estar, para não se estar mais. É, no fundo, por esta linha contínua, que depois passa a descontínua, e que depois deixa de existir, que nos vamos guiando.