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Para o «leitor comum», pouco interessa. Mas para mim é significativo que o meu avô comemore hoje 97 anos. É significativo, não só pelo afecto e carinho, mas por me fazer lembrar que no ano em que o meu avô nasceu foi inuaurado o canal do Panamá, começou a I Guerra Mundial e não houve Prémio Nobel da Paz, e o quanto o mundo mudou 97 anos depois. Ele viu tudo. Sentiu tudo. Viveu tudo. Pode contar, de forma lúcida e pormenorizada, tudo o que nós só sabemos pelos livros de história e pela Internet. Ele viveu, ainda que à distância, os «loucos anos 20». A ascensão e queda de Hitler, com tudo o que isso implicou. Conheceu de perto (e na própria pele) a musculatura da ditadura salazarista. A II Guerra Mundial, e as histórias dos «mineráveis», em Arouca. O surgimento do cinema. O «sonho americano». O 25 de Abril. A descolonização. O meu nascimento. O início da globalização. O terceiro milénio. Tudo isto, sintetizado numa vida. Em 97 anos. Parabéns, Avô Miranda.