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Honrar a memória dos que nos antecedem é algo que nem sempre temos estatura suficiente para alcançar. Carregar sobrenomes, sem uma estrutura moral que os apoie, somado a actos pouco recomendáveis, redunda, cedo ou tarde, no desmascarar de uma identidade vazia ou até mesmo rasteira. Olhar com humildade para o legado de quem nos precede, com absoluto respeito pela postura perante a vida, pelas obras realizadas, pela gente que serviram com essa mesma humildade e disponibilidade, é outra coisa. Por isso, aprendi com o bisavô António Almeida Brandão a exercer o dever cívico de lutar contra as dificuldades para que, mesmo que em pequena escala, possamos melhorar um bocadinho isto a que chamamos mundo em que vivemos. Com o bisavô Ângelo Pereira de Miranda, a disponibilidade para, a qualquer hora, lutar pela justiça. Sem esquecer que, contra vaidosos e interesseiros (acrescentaria idiotas) não vale a pena gastar qualquer chumbo.

«Nunca fiz, nem quero que alguém faça outro conceito de mim, neste particular, a não ser o de um homem que trabalhou, quanto lhe foi possível, pelo progresso da sua terra, tendo em vista os limitados meios de que então dispunha e a precariedade das circunstâncias. E quem assim procede, apenas cumpre o seu dever. Dever que é mesmo uma obrigação, a que cada um, como membro da sociedade a que pertence, está sujeito».

(António de Almeida Brandão, «Memórias»)

«Há só duas classes de indivíduos que não me merecem consideração: os vaidosos e os interesseiros. Nenhum deles hesita em sacrificar os seus irmãos para satisfazer a sua vaidade humilhada ou os seus interesses lesados. A eles o meu desprezo!»

(Dr. Ângelo Pereira de Miranda, a 4 de Novembro de 1911, no n.º 1 da «Gazeta de Arouca»)