Embrenhado em «La Bohème», de Puccini, há uma parte fundamental da obra que insiste em não abandonar o meu pensamento. O desfecho já parece desenhado. É só uma questão de tempo. Mas Puccini parece querer esperar pelo momento certo, e conduz-nos com uma melodia feita de excertos de toda a ópera, como que resumindo tudo em pouco tempo, até ao fim trágico de Mimi. Pelo meio, há tantas palavras, tanta música, que fazem inveja por não termos sido nós a ter aquela ideia. Aqui, é tudo isso. Palavras que gostaríamos de poder dizer, um dia. Música que as acompanha como nenhum outro compositor conseguiria. É como se, de repente, estivéssemos mesmo ali. Como se também uma parte de nós estivesse a morrer, e aquelas pudessem ser as últimas palavras. É como se vivêssemos. Abençoadas palavras. Abençoada música.
Pessoal e Transmissível
Plagiando o nome do programa de entrevistas de Carlos Vaz Marques na TSF, este blog tem tanto de absolutamente pessoal como de absolutamente transmissível. O título surgiu da lembrança de um anúncio televisivo a uma agenda - «A Minha Agenda» - que, na altura, toda a gente queria ter. O conteúdo surge de retalhos de informação, de observações, de restos de material da minha agenda, que fizeram (ou não) notícias. Neste caso, material que não foi directamente notícia, mas que talvez pudesse ter sido. De um ponto de vista totalmente pessoal, mas totalmente transmissível. Bem-vindo.
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