Entrar num campo de concentração nazi é das experiências mais cortantes que se pode ter. Sachsenhausen, em Oranienburg, não muito longe de Berlim. O que começa por se entranhar, quase de forma agressiva, é o silêncio. Tudo, ali, é silêncio, mesmo ainda antes de chegarmos ao portão. «O trabalho liberta». Irónico. À entrada, como à saída. Quando milhares de judeus passaram estas grades, para serem literalmente dizimados, como quando libertaram os que sobreviveram e trouxeram o peso da experiência agarrado à pele. O trabalho liberta. A resistência. A justiça. Como a cicatriz, que renova a pele, mas não apaga o que a causou. Uma cicatriz com 70 anos. Para nos mostrar como foi e como não pode voltar a ser. No interior do hospital, junto aos fornos crematórios, a ouvir a explicação detalhada do que ali acontecia, passo a passo. No espaço ao ar livre, de onde se vê tudo, num triângulo de horizonte que parece imenso. O silêncio, sempre o silêncio. Que corta a pele como a bala metida na cabeça daquele que ia a caminho da câmara de gás. Que corta a carne como a coronhada naquele que, sem dizer nada, não obedecia ao que não sabia. A ferida, ainda aberta, ganha forma de tatuagem. Na forma de três palavras simples, aparentemente vazias. «O trabalho liberta». «Arbeit macht frei».
Pessoal e Transmissível
Plagiando o nome do programa de entrevistas de Carlos Vaz Marques na TSF, este blog tem tanto de absolutamente pessoal como de absolutamente transmissível. O título surgiu da lembrança de um anúncio televisivo a uma agenda - «A Minha Agenda» - que, na altura, toda a gente queria ter. O conteúdo surge de retalhos de informação, de observações, de restos de material da minha agenda, que fizeram (ou não) notícias. Neste caso, material que não foi directamente notícia, mas que talvez pudesse ter sido. De um ponto de vista totalmente pessoal, mas totalmente transmissível. Bem-vindo.






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