Acabo de receber de presente de viagem o álbum “Maurice Ravel”, da dupla de pianistas (e irmãs) Katia e Marielle Labèque. Conheci as irmãs Labèque por causa da performance original do famoso “Bolero”, de Ravel, com o trio basco...
Fico com a sensação de que somos urbanos demais. Os pombos passaram a ocupar os espaços que, outrora, eram morada de férias das andorinhas. Já não vemos pardais com tanta regularidade. Ao menos os melros, de vez em quando, dão um ar da sua graça. Mas hoje voltei a ver...
O padre José Tolentino de Mendonça começa um texto sobre a esperança evocando a forma como o grande artista do Renascimento, Miguel Ângelo, a encarava. Para o pintor, escultor, arquitecto e mestre, a esperança era o que fazia com que visse numa pedra de mármore em...
Estou há demasiado tempo sem escrever. Estou há demasiado tempo a sentir que tenho pouco tempo, que não tenho tempo, de todo, para fazer uma coisa que quase sinto que devo. Quase como se me estivesse a tornar de pedra. E assim, decidi que não vou esperar para fazer a...
A dicotomia não é nova. Eça de Queiroz, de resto, extremou bem as realidades, quando colocou, lado a lado a enorme Paris, centro do mundo, e a sua pequena Tormes, centro de um quase imaginário. Hoje, os extremos estão ainda mais vincados, com a «cidade» a querer ser...
Não. O «encalhamento», aqui, não tem absolutamente nada a ver com a data, com a «febre» amorosa que povoa o 14 de Fevereiro, com o ridículo das cartas de amor a resvalar para algo «kitsh», ou coisa parecida. Tem, antes, a ver com o colocarmo-nos uma posição de...
Surgiu hoje uma notícia que, a ser verdadeira, todos os músicos com certeza saudarão. Lê-se que o Parlamento Europeu terá aprovado uma directiva que considera os instrumentos musicais como bagagem de mão, nos voos entre países da União Europeia. Quando vemos alguém...
Magnífico. Não tanto para fazer uma espécie de colagem ao título do concerto («Magnificat»), mas porque o foi de facto. Quem passou pelo Coro de Câmara de São João da Madeira não consegue evitar a saudade. Mas o que também não pode negar é o crescimento, a cada vez...
“Corro. Sem destino. Pelas ruas de cidades abandonadas. Esmago na mão um pedaço de vidro cortante de uma montra despida, de um prédio em ruínas, de um céu cinzento escuro de ausência. Para trás, ficaram sonhos, concretizados ou esquecidos. Fragmentos de vidas...
Às vezes, acabamos por encontrar trechos musicais da forma mais inesperada possível. E, da mesma forma mais inesperada possível, essa música começa a apoderar-se de nós. Pelas palavras, pelas harmonias, pelas melodias, por tudo o que a compõe. Foi o que aconteceu com...
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